novembro 29th, 2011 § Deixe um comentário
La Sinagoga de los Iconoclastas é o segundo livro do Wilcock que eu leio. O primeiro, El Caos, veio ao mundo 12 anos antes e é menos borgeano, ou seja, menos referencial, de movimentos narrativos menos atravessados por outras questões. Não é o caso de La Sinagoga, que entra claramente nessa listinha que eu fiz¹, e que entrelaça os continhos a passagens da história e da filosofia próxima e vindoura, desenvolvendo ainda com mais vigor² que os livrinhos da lista essa indagação dos efeitos da história na literatura e vice-versa. 36 contos curtos dos quais talvez eu traduza algum aqui dia desses. lml.
¹depois descobri que o onipresente Falcão Klein fez uma listinha mui semelhante num papel sobre o próprio Wilcock
²as passagens históricas muitas vezes estão relacionadas a pontos de viragem: 2ª guerra mundial, revolução francesa
outubro 31st, 2011 § Deixe um comentário
As grandes vias imperiais, Flamínia, Aurélia, Nomemontana, etc, por onde Nero, São Pedro e Messalina costumavam correr tão atarantados no cinema mudo sobre veículos adequados à irregularidade do pavimento e à tremedeira da tela, convergem sobre Roma formando uma teia de aranha em cujo centro o santo e rico Papa com seu mantel branco e hordas ociosas de adolescentes pobres com suas calças azuis apertadas e suas camisetas vermelhas ou verdes esperam os turistas estrangeiros, que fingindo visitar tesouros artísticos se lançam como moscas suicidas a um tipo ou outro de emoção, ou a ambos no pior dos casos. A planta desta teia de aranha, várias vezes recomposta durante e a idade média e a idade moderna, continua sendo essencialmente irregular e cresce sem parar. As casas se adaptam à curvatura das ruas, têm em geral oito ou dez andares e encerram em seu interior grandes pátios sujos, com frequência respingados de sangue pelo corpo de um suicida ou de alguma empregadinha camponesa que perde o equilíbrio enquanto pendura a roupa nos arames tradicionalmente estendidos de janela a varanda e vice-versa.
Wilcock, J.R.. Diálogos con el portero. in Caos, El. Editorial Sudamericana. Col. El Espejo. Buenos Aires. 1974. lml.
outubro 24th, 2011 § Deixe um comentário
(my body is a cage, arcade fire, no som)
três horas num parágrafo é normal? e depois disso? e depois disso, nos quarenta minutos entre universidade e casa, continuar matutando, acochambrar mais umas duas três frases que exigem remodelar o tal parágrafo? acho que consegui uniformizar o tom entre começo e o final, agora é regar os espaços mortos, ver se.
ontem a fernanda disse que a gente só se convence ou não por um livro na hora que o narrador tenta nos convencer de que um pterodátilo levou a personagem principal. nas 30 primeiras págs. d’El Caos, do Wilcock, o protagonista cego, surdo, paralítico, epilético quer chegar na metafísica, é assado por ciganos, escapa, vai meditar num promontório, que desmorona sob seu peso. livro foda, até onde eu sei. lml.