março 10th, 2012 § Deixe um comentário

se a gente pensar que existe, e sempre existiu, uma coisa arcana e elevada chamada literatura europeia¹, representada hoje por magris, tabucchi, nooteboom, houellebecq, roth, auster, fresán, saramago, sebald, marías, a gente consegue pensar no vila-matas forçando seu caminho rumo a esse grupo desde o 1º livro por meio de se armar em guardião de determinada tradição bibliográfica²³. lml.

¹e aí eu tô me intrometendo na área do kelvin e do severino

²talvez afetiva

³wilcock, kafka, james, pitol, etc

dropping names

outubro 9th, 2011 § Deixe um comentário

Vila-Matas não escreve de um jeito que eu escreveria. Assim como o Bolaño, o espanhol está preocupado em descarnar a elaboração do romance através do romance. Até aí tudo bem mas tem mais, mais do que o chileno, ele funda essa retórica que aponta para si mesma em cima do poder da(s) assinatura(s). Sim, há as figuras inventadas e as brincadeiras formais, há a problematização do enunciado e pá. O que incomoda é essa postura¹ de (último) arauto do construto cultural europeu. O enciclopedismo do Vila-Matas mostra in loco o ácido clorídrico agindo no bolo alimentar, fios de cabelo de um grego, unhas de um letão sobressaindo. lml.

¹postura essa que me predispõe contra certas figuras tipo Calvino e Saramago.

outubro 8th, 2011 § 1 Comentário

(army arrangement pt. 2 , fela kuti, no som)

Conversas Apócrifas com Enrique Vila-Matas é um livro bem explicadinho, além das dez páginas iniciais dedicadas a justificar/destrinchar o processo de composição, páginas curtas norteiam a conversa em tópicos: Amigos, Tradição e Leituras, Crítica, Política, Vanguardas e Metaficção. Neste sentido, é desestabilizador e inopinado o depoimento transcrito de Rita Malú. Literário até a pleura, cheira a Bolaño, o desfecho perfeito pr’um livro que fala o tempo todo de mais-valia da informação; por mais que o Falcão Klein situe este encontro¹, o trechinho tem um jeitão deslavadamente repasteurizado². Ou não. É a melhor parte do livro.

Aponto uma coisa besta pra ela não passar despercebida, o percurso crítico do livro é muito mais o do Kelvin Falcão do que o do Vila-Matas. Não sou lá esses leitores de Vila-Matas, mas aquele recorte de nomes e datas me é conhecido, dá pra ouvir as risadas ao longo da introdução. Walter Benjamin e os poderes curativos da narrativa estão n’El Mal de Montano, mas estão também em passagens do blogue do Kelvin, que deve conhecer a história original, não só a mediada. O livro é intrincado, funde e borra, recorre a jogos que o próprio Vila-Matas propõe. Achei uma apropriação mais honesta e reverente, mais profunda e mais precisa do que Se um de nós dois morrer, outra vítima da coqueluche Vila-Matas, da tsunami literatura européia. lml.

¹ Rita Malú, a amiga de Vila-Matas tantas vezes homenageada em seus livros, apesar da idade, ofereceu-me, com bastante energia, um relato em primeira mão que aproveito para incluir neste volume. (…) Algumas palavras se perderam, por inúmeras razões: desde inépcia daquele que escutou e transcreveu até a velocidade do espanhol daquela distinta senhora.

²(Falcão Klein fala em sua tese sobre a importância de Rita Malú).

justificativa

setembro 24th, 2011 § 1 Comentário

acho que uma das habilidades de escritor está em largar de solipsismos e descrever amplos espaços físicos e ações de grandes grupos. começar por uma amplidão física. Javier Marías faz isso em Corazón Tan Blanco. Rubens Figueiredo faz isso no livro que ganhou o prêmio São Paulo deste ano. O Noll faz isso e ainda cita um Lula de 1989 n’O Quieto Animal da Esquina.

aliás, é engraçado como toda microbiografia do Murilo Rubião que se preze tem de citar aquilo que ele falava de ter aprendido os truques da escrita com um tio aos onze anos de idade. que malditos truques serão esses? será esse tio um tio da mesma linhagem do tio do Juan Rulfo? aquele tio de cuja morte o Vila-Matas fala em Bartleby e Cia?

fica questão. lml.

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