maio 18th, 2012 § Deixe um comentário

neste post aqui, a crítica do fantini é muito clara: não podemos perder de vista a maneira como o reconhecimento de um escritor vai afetando sua produção. saer é um caso latino-americano raro de falta de deslumbramento com as pilhas de ouro de tolo que é a fama. grande parte dos outros, talvez até bolaño, perde a mão do próprio programa (se é que um dia houve um) pra premiações e encomendas. lml.

dezembro 19th, 2011 § Deixe um comentário

se balizarmos por Piglia, o Pauls pende mais pro Puig do que pro Saer. embora constitutivamente similares na sua hipersignificação, as verborragias do Pauls e do Saer tardio respondem a propósitos distintos. mas bem que na página 317 d’el pasado o bonairense homenageia o santafecino de unidad de lugar.

Tocó un timbre y esperó unos segundos, miró su propia sombra en el vidrio esmerilado de la puerta, hasta que una voz impaciente le exigió su nombre a través de un intercomunicador.

lml.

se eu durar até o fim do livro

dezembro 3rd, 2011 § Deixe um comentário

mandei o 1º trecho do livro pruma amiga escritora que me falou que enxugaria o texto, assumiria os vazios, falou que embora o livro caminhasse pra esses vazios às vezes eu vacilava. pensei na verborragia do Saer¹, no esvaziamento do significado por meio do excesso de significantes, mais especificamente, de elementos figurativos no texto¹. pensei no que seria assumir esses vazios pela via da negação ao invés da do excesso. penso em periclitar entre esses dois polos e ainda ter de lidar com as construções verbais da língua falada. lml.

¹diz Tomatis, apertando as frontes com o polegar e o dedo médio da mão direita, e mantendo distendidos os dedos restantes da seguinte maneira: o indicador esticado em diagonal para cima, como se estivesse querendo assinalar um acontecimento iminente que fosse vir do alto, e o anular e o mindinho, ligeiramente encolhidos diante do olho esquerdo, cobrindo-o um pouco e apontando, contraditórios, para baixo. (Saer, Juan José. A Pesquisa. Trad. Rubens Figueiredo. Cia das Letras.)

resumaço

novembro 24th, 2011 § Deixe um comentário

se eu fosse honesto eu apagava este blogue e colocava no lugar apenas este .pdf aqui: http://culturaebarbarie.org/sopro/n15.pdf. lml.

Próximo post

novembro 1st, 2011 § Deixe um comentário

El Sueño de Los Heroes (1954), Unidad de Lugar (1967) e Blanco Nocturno (2010) pintam a mesma Argentina dos sillones de Viena à sombra de paraísos, dos times de futebol do bairro e das corridas de cavalo. Uma Argentina telúrica, de cujo réquiem Piel y Hueso (2009) se encarrega. lml.

formas heredadas son una especie de virginidad¹

outubro 28th, 2011 § Deixe um comentário

Em todos os contos de Unidad de Lugar aparece alguém banhado e saudável pra contrarrestar a debilidade nem sempre física dos protagonistas frente à onda de calor. Menos em Paramnesia,  em torno do(a) qual tudo orbita: a contiguidade dos 5 contos é assustadora, concretiza essa unidade de lugar nas ínfimas e nem tão ínfimas repetições: o Tomatis, a memória como elaboração, as insinuações sexuais, a vida perra, o verbo nimbar, etc… Em Fotofobia, o verso do Drummond inaugura/justifica as melhores descrições. O livro termina com Fresco de Mano, que termina em chuva. lml.

¹Saer, Juan José. Cuentos Completos (1957-2000). Seix Barral. 2000. Espanha

outubro 28th, 2011 § Deixe um comentário

O dia a base de 3 contistas exímios: Saer, Fogwill e Marques Rebelo. Engraçado notar a partir deles como qualquer fluxo não é monolítico¹, cada um dá um jeito de introduzir no caudal do relato instabilidadezinhas e sugestões que:

  • não procuram resolver;
  • não procuram disfarçar;
  • podem passar despercebidas ao leitor;
  • ajudam a nuançar um painel narrativo mais rico.

Nos casos acima essa contaminação acontece muitas vezes por germes lexicais², mais precisamente pelas coloquialidades. Então faz sentido jogar uma pedra na plácida superfície do discurso com uma palavra tipo espezinhar. lml.

¹nem mesmo o fluxo estilizado que é a narração

² podia ser um germe no enredo, ou na representação, sei lá

factor borges

outubro 12th, 2011 § Deixe um comentário

voejava em torno a esse argentino via Pauls e recusas do Aira e do Saer, peguei pra reler. ontem devorei o Aleph, hoje singro Otras Inquisiciones. tô ordenhando coragem deste dia chuvoso e desse disco do Constantina pra falar sobre isso sem ser um boçal. se é que será possível. lml.

outubro 4th, 2011 § Deixe um comentário

Saer usa pra falar de escritores em começo de carreira, notadamente Borges¹, as expressões retórica e declarativo, ou seja, pra ele, amadurecimento passa por recusa à ênfase. uma frase como imagine o lugar da sua infância não funciona, geral demais. uma frase como o destino precário e lúgubre das mãos trementes ansiando por desfecho tórrido mas inválido de noite não funciona. fica a questão sobre o que funciona. lml.

¹A posição do late-Borges é parecida e bem conhecida.

literatura ao invés de literatura sobre literatura

setembro 28th, 2011 § Deixe um comentário

e olha quem nos remonta ao assunto aquele sobre tios que produzem a literatura do sobrinho (Rubião, Rulfo): nosso amigo que os universitários chamam de santafecino. outro acadêmico¹ escreve: “Nele, Saer opõe-se franca e explicitamente a “esses senhores que dizem narrar, uns o que lhes contam seus avós, outros uma suposta realidade, mexicana ou peruana ou argentina”, lembrando que “a narração começa justamente onde esses supostos anedóticos desaparecem”. 

isso aí dá o que pensar sobre a poesia de Brasília, que é tão mais fraca porque tão mais referencial. superficial, aponta o que a deslumbra, sem que isso queira dizer mais do que estou apontando o que me deslumbra. a supressão do anédotico, a remodelagem do lugar (outro paradigma do Saer), deveriam ser a primeira lição na cartilha do poeta. Curitiba² tem um fab four da literatura, como seattle tem do rock, ambos muy poco lugareños. o primeiro livro de alguém desse fab four (Leminski, Trevisan, Xavier, Karam) saiu em 1959, um ano antes de Brasília. o último grande escritor de Brasília, que não era grande por causa de Brasília, morreu em 1984 e sem mimeografar. lml.

¹Pereira, Antônio Marcos. Biografema e autoficção na produção ensaística saeriana: Notas sobre “Narrathon”. UFBA

² Pra informações sobre a relação Trevisan-Xavier cf. Monsieur Xavier no Cabaret Voltaire. in: Terron, Joca Reiners. Sonho interrompido por guilhotina. Casa da Palavra. 2006.


									

a práxis poético-narrativa (sou chique)

setembro 27th, 2011 § 2 Comentários

estou cansado. se eu apertar os olhos sai informação, provavelmente inútil. estou lendo uma tese de mestrado sobre o Saer. o ser humano é tão filho da puta que até de academicismo¹ (na nota de rodapé, pra não obrigar a ler) ele rouba algo que o justifique. e ao romance que está escrevendo a passo de tartaruga.

hoje, trabalho. ontem foi massa, enchi o caderninho de esboços de esboços de capítulos. certas palavras que eu nunca tinha escrito escrevi ontem, tipo chimarrão. por falar em chimarrão, sempre me perguntei por que a dedicatória do Hotel Atlântico é pro Tabajara Ruas. lml.

1: “Na passagem, observamos acentuado adensamento da narrativa, resultante do firme propósito do narrador de captar o instante e descrever o espaço circunstante que envolve o breve acontecimento. O expandido gesto de esmiuçamento dos dados referenciais e sensoriais que conformam o espaço-tempo dessa circunstância e a deliberada pormenorização dos diferente estratos e regiões que configuram o mundo das coisas sensíveis das personagens interditam provisoriamente o encadeamento episódico do relato, derramando sobre o leitor uma miríade de sentidos e significados latentes na corrente textual.”  (Thomaz, Paulo César. El Entenado, a práxis poético-narrativa de Juan José Saer. USP. 2001)

Onde estou?

You are currently browsing entries tagged with saer at calopsitaescapista.