abril 20th, 2012 § Deixe um comentário

(covered lamp, do silk flowers, no som, tanto cansaço que se eu deitar não durmo)

o mesmo problema de travejamento quando já houve um livro anterior mais ambicioso e bem amarrado¹ se dá em o céu dos suicidas. ok, acho que ninguém vai achar que ele é mais do que realmente é, um livro de entressafra², mas ainda assim há escorregadas de fraseado, principalmente no começo. e os episódios se sucedem rápido, se dispersam antes de prender, não fermentam. lml.

¹em ambos os casos talvez dê pra culpar mais os editores

²a ponte entre os mandarins e o livro do divórcio

novembro 16th, 2011 § Deixe um comentário

eu gostei do tão elogiado conto do Lísias na Piauí pelos motivos errados. pra começar, o autor postar no facebook como foi doloroso escrever o conto, nos convidando a partilhar de sua dor por meio da leitura não vai tornar o conto melhor ou pior. ou seja, gostei do conto pelo emaranhado reiterativo de 1ª pessoa, 3ª pessoa, recurso que o Lísias já usava no excelente Dos nervos (2004). acho perigoso e generalizante a qualidade do texto passar pelo pedágio da capacidade de emocionar quem lê. aquele derrame sentimental lá é do autor e só, não somos psicológos pra avaliá-lo. lml.

novembro 16th, 2011 § Deixe um comentário

O cinismo do narrador personagem inominado de O acrobata pede desculpas e cai¹ decorre de uma senciência e de uma galhofa encontráveis no(s) Paulo(s) d’O livro dos mandarins, conta de modos a deixar uma margem pra se desdizer dali a cinco minutos, sem grilo. As derivas (existenciais, espaço-temporais) lembram as derivas dos pianistas atores andarilhos do Noll. lml.

¹Wolff, Fausto. Codecri. 1980. capa do Ziraldo. contracapa do Millôr.

pra ñ comentar

outubro 22nd, 2011 § 5 Comentários

(hey hey my my, do neil young, no som)

umas coisas que eu li p’rum post sobre Tadeu Sarmento ajudaram a clarear questões sobre a Geração Zero Zero (2011). explico, a seleção não é ruim, só parte d’um recorte besta pros dias de hoje, significativo lá em 2004/2005, quando gente como Marcelo Benvenutti, João Filho e Paulo Sandrini, na crista da onda, citavam Wir Caetano, Sérgio Fantini e Rique Aleixo em entrevistas e eram publicados por meios próprios ou por editoras minúsculas de SP e PoA, tipo a Kafka, a Barracuda e a Ciência do Acidente. devia ser bonito ser publicado pelos próprios meios. em 2004, já tinha saído Até o Dia em que o Cão Morreu, a livros do mal era finita ou quase, o Michel Laub andava pelo 2º ou 3º romance. mas era uma transição: embora os ecos da cardosonline já se dissipassem, era cedo pra identificar a avalanche gaúcha do fim da década se acoplando ao sempiterno séquito de Marcelinos Freires. assim, num vácuo de reordenação brotaram e começaram a se afirmar nomes que de lá pra cá talvez tenham virado taxistas e se recusado a ter conta no facebook, ou talvez publiquem em segredo e sejam resenhados mais em segredo ainda. a antologia A Visita (2005) publicada no meio desse vuco-vuco pela Barracuda traz os iniciantes Lísias, Laub e Bracher.

chover no molhado dizer que a configuração atual do campo literário deve mais à 2ª metade da década do que à 1ª, que é a presente na Geração Zero Zero. se a Geração Noventa: os transgressores (2003) peca por afoiteza de novidade (ignora o começo dos noventa, antologa o começo dos dois mil), oito anos depois, o catálogo do Nelson de Oliveira peca por defasagem. mas tudo bem. lml.

el factor Lísias II

outubro 16th, 2011 § Deixe um comentário

(I set my face to the hillside, tortoise, no som)

acabo de começar e terminar o Dos Nervos, do Ricardo Lísias (2004). Epígrafe de um livro do Faulkner que eu não li mas que sei que traz também um enredo bífido. No caso brasileiro uma historinha ecoa pouco da outra, bem pouco: consideremos que a primeira é de uma mulher que ao voltar para casa encontra um estranho sentado no sofá, isso dá motivo pros desvarios dela. O homem vai embora, às vezes volta, nunca diz nada. Triconhecida a técnica de repetição do Lísias: o lance aqui é mais sabido: narrar em primeira pessoa essa ausência¹ só faz engrossar o caudal de interpretoses a que o autor submete cada personagem. Enquanto no Livro dos Mandarins as repetições vêm da própria fala do(s) Paulo(s), aqui essas repetições reiteram o acúmulo de achismos de uma personagem em cima de uma ausência.

O fluxo verbal me lembrou o de A Parede no Escuro. lml.

¹ à la Paul Auster em Ghosts (1986).

arrebentação do bispo na g-5

outubro 16th, 2011 § Deixe um comentário

O Lísias postou no facebook um trecho da orelha do romance novo do Mirisola. Também é do Lísias a orelha d’o azul do filho morto (2002), em que ele usa uma expressão que o Mirisola refugaria: norte estético; não só isso, a orelha vai indo toda num tatibitate acadêmico/motivacional/corporativo até irromper num pois sim, há esperança. E dessas erupções a própria prosa do Mirisola, e mais tarde a do Lísias¹, tá cheia: de uma verborragia¹ estrambótica que muito me agrada: nunca se sabe quando vai surgir um Edu foi o primeiro débil mental a usar gravatas do Mickey. Tinha um “insight” atrás do outro (Edu, “o criativo”). Em 1983, por aí. Uma instabilidade, uma intromissão, uma periclitância claudicante cazzo, uma disjunção como diria Falcão Klein, entre narrador, personagens e narrado que também está presente no livro dos mandarins (2009) e no paraíso é bem bacana (2006), outros manuais do autosarcasmo prosaico. Reinaldo Moraes, olha lá mais um adepto, me ensinou na orelha de Memórias da Sauna Finlandesa uma palavra que eu uso sempre desde então: achincalhável. lml.

¹pode reparar, o discurso literário é estético por isso, ordena a coloquialidade, na vida real ninguém fala coisa com coisa, não existe frase reta tipo eu te amo. geralmente sai ah, é, que, é que, porque eu acho, eu tava lá, e tipo… aí eu pensei, aí eu vi esse motoqueiro, sei lá, acho que eu amo tu, é é isso mesmo, acho.

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