crisântemos

novembro 10th, 2011 § Deixe um comentário

(12 de maio, silva, no som)

nesse meu esforço de olhar pra pequenas editoras e ajuntamentos de escritores pretéritos é impossível abarcar tudo. dá pra associar o ato político que é publicar por editora pequena ao modus operandi de 90% de toda publicação de poesia, me soa a que a poesia tem um jeito guerrilheiro de se afirmar, mesmo a alta, ou a que virá a ser considerada alta, com menos espaço pra jabá e mais autossustentação, de veiculação mais condizente com o fragmentário da internet, embora impossível de ler num computador. não sei, soa como se o romance precisasse dos grandes espaços pra se afirmar enquanto a poesia se infiltra. dá pra olhar pra música também, que hoje em dia, por mais empetecada que seja, não frutifica em grandes espaços, só no diz-que-me-diz da internet. o caminho talvez seja o de renunciar aos altissonantes espaços de declaração e promoção e assumir a pequenez do ofício. ou a grandeza da voz miúda.

procurei muito uns estudos que o ruffato publicou no rascunho sobre pequenas editoras de mato grosso do sul. juro que procurei. lml.

pra não dizer que não falei de rosas

outubro 10th, 2011 § Deixe um comentário

a coisa mais legal do mundo. achei aqui. hoje fixei 1 (uma) página do romance. lml.

outubro 9th, 2011 § Deixe um comentário

no frigir dos ovos tô eu aqui imprimindo provas e reprovas em margem estreita, corpo oito e espaçamento um: o livro ganhou uma terceira camada e sabe lá deus onde essa estratégia de alfarrabista kafkiano vai parar. não escanearei os diagramas. talvez fosse massa uma semana de afastamento pra desbastar, licença-maternidade. lml.

outubro 9th, 2011 § Deixe um comentário

- hoje, que eu recebi uma notícia massa, talvez eu decida que o romance deve ganhar uma terceira parte, o que postergará acabar de escrevê-lo. é tudo.

(Dalva entra saltitando, uma mão carrega uma cesta, a outra faz o lml)

defectivo

outubro 6th, 2011 § Deixe um comentário

Trombada inevitável, guarda-chuva amplia o espaço vital, o perímetro, deformado, do corpo. Estreito o beco até em condições normais de temperatura e pressão, quem dirá com um guarda-chuva vindo e um guarda-chuva indo, sem contar a poça debaixo d’uma calha, os pingos das pontas de um toldo. Azulejos originais ainda pavimentam um trecho do rodapé, azul e branco até onde a água deixa ver, um bueiro insinua que alguma coisa pode rastejar dali a qualquer momento. Na ponta do beco uma lixeira de rua bifurca, dificulta mais, a lixeira está certa, os prédios de cada lado é que invadem a calçada, um com um toldo pra cobrir velas baixotas em cima de mesas chiques, o outro com uma vitrine. As paredes guardam vestígios do solão de 5 minutos atrás. Pancada de chuva abafando o trânsito que ela empacou na comercial. Caixas de papelão largadas que a correnteza desmancha mais a camisinha usada e a latinha amassada de cerveja indefectíveis flutuando mais rastros recentes mais plásticos que a lixeira vomita são coisas que mesmo sem querer quem se arrisca ali acaba chutando e pisando e incrustando no concreto. Cheiro indefectível, pior por causa do ar encanado. É um que não recolhe a merda do próprio cachorro, é um que distraído no mp3 pisa, é uma criancinha que a mãe culpa em voz alta pelo fedor e que prega um chiclete numa parede, é um mendigo violinista que estrebucha de gargalhar, espantando quem estava lá na outra ponta do beco tomando coragem pra vir ou não, é um segundo mendigo, acordado, levantando pra sentar porrada na barulheira do primeiro, é um cabeleireiro que surge com um rolo de macarrão pra apartar a briga, é um porteiro que gargalha de se contorcer com a cena. Pra demarcar território, o restaurante cercou a área invadida de paralelepídedos de madeira cheios de terra e gladíolos. Gostosos e saudáveis, crianças e cachorros adoram.

forças ocultas

outubro 5th, 2011 § Deixe um comentário

(Brain Storm (for Erin) – Mark Mcguire, no som)

confesso implicância com o sebald, à revelia de certa admiração pelo bernhard. ambas as reações ignorantes, só li um livro desse e nenhum daquele. de toda maneira, o primeiro parágrafo¹ de extinção me impressionou, mais pelo paralelismo entre o tal franz-josef murau e murilo mendes, de quem eu tinha lido um verbete biográfico² segundos antes; verbete esse que falava dos países, a que demorava a se acostumar às vezes. eu queria, acima de tudo, escrever mineiro. brasília tem tanta identidade quanto alphaville.

o fluxo verbal de extinção me pareceu genial: uma terceira pessoa passa a reproduzir um discurso em primeira pessoa, a qual se volta sobre si mesma mediante segunda pessoa. sabe-se lá quando essa terceira pessoa volta, li um décimo do livro, se tanto. sem falar nas palavrinhas esdrúxulas repetidas. e na diatribe contra fotografia, relacionável ao sebald. lml.

¹sentia-me de tal forma revigorado e entusiasmado, de humor cada vez melhor só de pensar em estar morando há tempos em Roma,e não mais na Áustria. (Bernhard, Thomas. Extinção: uma derrocada. Trad. José Marcos Mariani de Macedo. Companhia das Letras. 2000)
²(Mendes, Murilo. Poesia Completa e Prosa. Org. Luciana Stegnano Picchio. Nova Aguilar. 1994)

outubro 4th, 2011 § Deixe um comentário

Saer usa pra falar de escritores em começo de carreira, notadamente Borges¹, as expressões retórica e declarativo, ou seja, pra ele, amadurecimento passa por recusa à ênfase. uma frase como imagine o lugar da sua infância não funciona, geral demais. uma frase como o destino precário e lúgubre das mãos trementes ansiando por desfecho tórrido mas inválido de noite não funciona. fica a questão sobre o que funciona. lml.

¹A posição do late-Borges é parecida e bem conhecida.

de resto

setembro 22nd, 2011 § Deixe um comentário

escrever um romance passa por achar que se deve dizer algo que se tem pra dizer, mesmo partindo do nada. mesmo que o cotidiano, bombardeando esse algo a dizer, obrigue tudo a mudar tudo. começo do nada, frase sobre página nua, mas retroativo. quase como se uma espinha nova enfeiasse as lembranças do rosto que já passou. lml.

na pausa pra colocar o café pra fazer

setembro 20th, 2011 § Deixe um comentário

eu achei que essa degravação de entrevistas de doutorando em educação a aleatórios me traria, senão umas histórias legais de vida, pelo menos um certo tino pra registrar o jeito como as pessoas realmente falam. tudo que eu ganhei foi dor nos braços. A lição que o velho Muta não ensinou, coloquialidade também é estilização, nem mais nem menos pura.  lml.

Objetivo

março 10th, 2011 § Deixe um comentário

Construção de escultura capaz de reproduzir movimentos corporais humanos. Pretende-se simular a autonomia do personagem de forma interativa.

sexta-feira.

março 1st, 2011 § Deixe um comentário

a encomenda do Saulo é comum, tem muita saída, e sempre chega mais da fornecedora; o alienígena verde de dedos finos e olhos do tamanho de pires do ben 10 só não é mais popular do que o próprio ben 10, e as roupas de árabe – turbante, cimitarra de papelão revestida de celofane, calças muito largas de tecido fino, branco e reluzente, colete vermelho – e de princesa com tiara de brilhantes destinadas ao Saulo e à Nilza respectivamente são das normais de sempre, encontráveis; a questão é a burocracia do registro e da fatura de encomendas, a mulher não pode simplesmente, à vista de um retângulo de papel escrito e carimbado às pressas em vermelho, entregar as fantasias sem conferir entradas no estoque e no sistema.

rota de colisão.

fevereiro 23rd, 2011 § Deixe um comentário

…na contramão. À luz mortiça e atonal dos postes espaçados sob um telhado baixo de iminência de chuva, não podia saber se era barba andrajosa ou gola de sobretudo, se era guarda-chuva fechado na mão ou gargalo de garrafa tornado arma, se desviava do tracejado da calçada.

o primeiro suspiro.

fevereiro 17th, 2011 § 2 Comentários

A farda de Jalapeno, fibras estiradas como os músculos que envolvem, o engomado das mangas refletido no esgar de tentativa de um rosto de afetar compostura até frente aos fuzis em riste, enxarca. O capelão faz um sinal da cruz, “deus te abençoe, Juruna”.

Onde estou?

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