crisântemos

novembro 10th, 2011 § Deixe um comentário

(12 de maio, silva, no som)

nesse meu esforço de olhar pra pequenas editoras e ajuntamentos de escritores pretéritos é impossível abarcar tudo. dá pra associar o ato político que é publicar por editora pequena ao modus operandi de 90% de toda publicação de poesia, me soa a que a poesia tem um jeito guerrilheiro de se afirmar, mesmo a alta, ou a que virá a ser considerada alta, com menos espaço pra jabá e mais autossustentação, de veiculação mais condizente com o fragmentário da internet, embora impossível de ler num computador. não sei, soa como se o romance precisasse dos grandes espaços pra se afirmar enquanto a poesia se infiltra. dá pra olhar pra música também, que hoje em dia, por mais empetecada que seja, não frutifica em grandes espaços, só no diz-que-me-diz da internet. o caminho talvez seja o de renunciar aos altissonantes espaços de declaração e promoção e assumir a pequenez do ofício. ou a grandeza da voz miúda.

procurei muito uns estudos que o ruffato publicou no rascunho sobre pequenas editoras de mato grosso do sul. juro que procurei. lml.

formas heredadas son una especie de virginidad¹

outubro 28th, 2011 § Deixe um comentário

Em todos os contos de Unidad de Lugar aparece alguém banhado e saudável pra contrarrestar a debilidade nem sempre física dos protagonistas frente à onda de calor. Menos em Paramnesia,  em torno do(a) qual tudo orbita: a contiguidade dos 5 contos é assustadora, concretiza essa unidade de lugar nas ínfimas e nem tão ínfimas repetições: o Tomatis, a memória como elaboração, as insinuações sexuais, a vida perra, o verbo nimbar, etc… Em Fotofobia, o verso do Drummond inaugura/justifica as melhores descrições. O livro termina com Fresco de Mano, que termina em chuva. lml.

¹Saer, Juan José. Cuentos Completos (1957-2000). Seix Barral. 2000. Espanha

outubro 24th, 2011 § Deixe um comentário

(my body is a cage, arcade fire, no som)

três horas num parágrafo é normal? e depois disso? e depois disso, nos quarenta minutos entre universidade e casa, continuar matutando, acochambrar mais umas duas três frases que exigem remodelar o tal parágrafo? acho que consegui uniformizar o tom entre começo e o final, agora é regar os espaços mortos, ver se.

ontem a fernanda disse que a gente só se convence ou não por um livro na hora que o narrador tenta nos convencer de que um pterodátilo levou a personagem principal. nas 30 primeiras págs. d’El Caos, do Wilcock, o protagonista cego, surdo, paralítico, epilético quer chegar na metafísica, é assado por ciganos, escapa, vai meditar num promontório, que desmorona sob seu peso. livro foda, até onde eu sei. lml.

outubro 9th, 2011 § Deixe um comentário

o que demônios quer dizer a expressãozinha alta voltagem poética? ou eu estou enganado, aí o Severino pode me corrigir, ou voltagem é uma grandeza física relacionada a diferença de potencial. ou seja é preciso relevo pra que a voltagem se estabeleça. até aí, belê, mas onde entra a poesia aí? ponto pacífico: o tecido discursivo é relevos, ou vieses. ou seja, precisamos de que o poema passe de uma parte de baixo potencial pr’uma de alto potencial pra termos alta voltagem poética. como isso pode tornar o poema mais ou menos atraente? habilidade básica do poeta teria de ser modular picos e vales. a preocupação talvez tenha de recair em cima de qualquer coisa antes de olharmos pra orografia pra dar nota pr’um poema.

em geral, aplicam o alta voltagem poética a manifestações de outras linguagens, quando arriscam mais significação imagética ou, pior ainda, lírica. ridículo. lml.

outubro 7th, 2011 § Deixe um comentário

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cometi um poema. lml.

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