novembro 6th, 2011 § Deixe um comentário
(out of tune, real estate, no som)
Como o mundo – e os subterrâneos da cena paulistana de literatura – é muito pequeno, depois do post anterior, fuçando a esmo, achei esse livro aqui, de 2007, editado pela Demônio Negro, do supracitado Vanderley Mendonça. Daria pra esboçar um painel relacionando essas pessoas (Bortolotto, Bressane, Freire, Mattoso, Mirisola, pra ficar nos próceres) e editoras (Estação Liberdade, SeloZero, Ciência do Acidente, Kafka, Baleia, Amauta, Annablume, Edith, Demônio Negro) que moveram essas engrenagens nos anos 00. Sinto que, meio que sem querer, esse meu recenseamento do trânsito da geração 90 pra 00 acaba sendo uma crônica muito paulistana de coisas que repercutem hoje, pulverizadas e assimiladas¹.
Não sei se um recenseamento da produção mineira ou paraibana² do período seria tão acessível assim entre distribuição física e veiculação internética. Sou brasiliense³. lml.
¹ em grandes editoras ou em rebelião ou em agrafismo
² quanto mais pro norte mais onipresença de Nilto Maciel
³ a produção daqui sai da LGE, da Thesaurus, da Geração Editorial, da Girafa, pra não falar em xerox pura e simples
literatura ao invés de literatura sobre literatura
setembro 28th, 2011 § Deixe um comentário

e olha quem nos remonta ao assunto aquele sobre tios que produzem a literatura do sobrinho (Rubião, Rulfo): nosso amigo que os universitários chamam de santafecino. outro acadêmico¹ escreve: “Nele, Saer opõe-se franca e explicitamente a “esses senhores que dizem narrar, uns o que lhes contam seus avós, outros uma suposta realidade, mexicana ou peruana ou argentina”, lembrando que “a narração começa justamente onde esses supostos anedóticos desaparecem”.
isso aí dá o que pensar sobre a poesia de Brasília, que é tão mais fraca porque tão mais referencial. superficial, aponta o que a deslumbra, sem que isso queira dizer mais do que estou apontando o que me deslumbra. a supressão do anédotico, a remodelagem do lugar (outro paradigma do Saer), deveriam ser a primeira lição na cartilha do poeta. Curitiba² tem um fab four da literatura, como seattle tem do rock, ambos muy poco lugareños. o primeiro livro de alguém desse fab four (Leminski, Trevisan, Xavier, Karam) saiu em 1959, um ano antes de Brasília. o último grande escritor de Brasília, que não era grande por causa de Brasília, morreu em 1984 e sem mimeografar. lml.
¹Pereira, Antônio Marcos. Biografema e autoficção na produção ensaística saeriana: Notas sobre “Narrathon”. UFBA
² Pra informações sobre a relação Trevisan-Xavier cf. Monsieur Xavier no Cabaret Voltaire. in: Terron, Joca Reiners. Sonho interrompido por guilhotina. Casa da Palavra. 2006.