parmênides não dá asa a cupim (mise en abyme 2)
outubro 3rd, 2011 § 1 Comentário

São Paulo é a cidade da errância, eficazes ou não meios de transporte, não se chega a um ponto, só é possível voejar em torno, imaginá-lo, dar-lhe um contorno por cópia do que te cerca na hora de imaginar, não imaginar que o taxista só revela na última hora que não pode chegar mais perto, lá é contra-mão, imaginar as janelas severas ao longo da viela que levaria ao ponto, imaginar que o alumínio das portas fechadas do comércio ecoe nossos passos alto demais, imaginar um barulho dentro dum contêiner de lixo, imaginar estreita a viela, imaginar logo um assalto, a ferrugem do canivete, o automático e o premente da ordem, as olhadelas prum lado e pro outro voejando pro que possa vir a ser testemunha, imaginar tudo isso que torna essa viela, por sua vez, um ponto, em torno do qual voejo. Imaginar tudo isso, desistir, se afastar, ficar parado. E, no afastamento, é longe, não devia ser tão bonito assim o ponto, quem sabe, se satã quiser, bater nele de raspão. Ou em algo parecido. É a cidade repetida, como as músicas daquele cd que toca no taxi, tudo é só minimamente diferente do que veio antes, variações imperceptíveis, ad nauseam, por isso a sensação de vagar em círculo, circular.
compritchas: uma edição crítica e anotada do Saúl ante Samuel, Juan Benet; uma edição conjunta de El pozo e Los Adioses, Juan Carlos Onetti; uma versão física de um clássico internético; e uma edição de material disperso do Fagundes Varella. lml.
justificativa
setembro 24th, 2011 § 1 Comentário
acho que uma das habilidades de escritor está em largar de solipsismos e descrever amplos espaços físicos e ações de grandes grupos. começar por uma amplidão física. Javier Marías faz isso em Corazón Tan Blanco. Rubens Figueiredo faz isso no livro que ganhou o prêmio São Paulo deste ano. O Noll faz isso e ainda cita um Lula de 1989 n’O Quieto Animal da Esquina.
aliás, é engraçado como toda microbiografia do Murilo Rubião que se preze tem de citar aquilo que ele falava de ter aprendido os truques da escrita com um tio aos onze anos de idade. que malditos truques serão esses? será esse tio um tio da mesma linhagem do tio do Juan Rulfo? aquele tio de cuja morte o Vila-Matas fala em Bartleby e Cia?
fica questão. lml.