pra ñ comentar

outubro 22nd, 2011 § 5 Comentários

(hey hey my my, do neil young, no som)

umas coisas que eu li p’rum post sobre Tadeu Sarmento ajudaram a clarear questões sobre a Geração Zero Zero (2011). explico, a seleção não é ruim, só parte d’um recorte besta pros dias de hoje, significativo lá em 2004/2005, quando gente como Marcelo Benvenutti, João Filho e Paulo Sandrini, na crista da onda, citavam Wir Caetano, Sérgio Fantini e Rique Aleixo em entrevistas e eram publicados por meios próprios ou por editoras minúsculas de SP e PoA, tipo a Kafka, a Barracuda e a Ciência do Acidente. devia ser bonito ser publicado pelos próprios meios. em 2004, já tinha saído Até o Dia em que o Cão Morreu, a livros do mal era finita ou quase, o Michel Laub andava pelo 2º ou 3º romance. mas era uma transição: embora os ecos da cardosonline já se dissipassem, era cedo pra identificar a avalanche gaúcha do fim da década se acoplando ao sempiterno séquito de Marcelinos Freires. assim, num vácuo de reordenação brotaram e começaram a se afirmar nomes que de lá pra cá talvez tenham virado taxistas e se recusado a ter conta no facebook, ou talvez publiquem em segredo e sejam resenhados mais em segredo ainda. a antologia A Visita (2005) publicada no meio desse vuco-vuco pela Barracuda traz os iniciantes Lísias, Laub e Bracher.

chover no molhado dizer que a configuração atual do campo literário deve mais à 2ª metade da década do que à 1ª, que é a presente na Geração Zero Zero. se a Geração Noventa: os transgressores (2003) peca por afoiteza de novidade (ignora o começo dos noventa, antologa o começo dos dois mil), oito anos depois, o catálogo do Nelson de Oliveira peca por defasagem. mas tudo bem. lml.

outubro 19th, 2011 § Deixe um comentário

Dá pra estimar que uns dez por cento do conjunto de escritores de um determinado instante vai continuar escrevendo na década seguinte. E uns dois ou três escritores de cada século vai continuar sendo editado no século seguinte. É isso que me agrada em antologias, a irregularidade de relevância¹ entre os envolvidos. Ao tirar um retrato de época, a antologia não prefigura uma direção para a produção corrente, geralmente se lastreia em um nome mais conhecido e depois enche linguiça. Raciocínio: Marques Rebelo e José Geraldo Vieira habitavam o olimpo literário brasileiro a fins da década de quarenta; se Marques Rebelo depende de que o Luiz Ruffato o apresente ao público e Geraldo Vieira sequer é editado, imaginem o paradeiro dos outros escritores que apareciam em antologias com eles. A antologia traz à tona por contraste e congela percalços em trajetórias de publicação e em recepção acadêmica. Luis Gusmán fala de guincho de língua fraturada².

Falar nisso, amanhã chega o meu exemplar d’A Visita, antologia da Barracuda publicada em 2005. Depois falo. lml.

¹relevância política, de agir e reagir em relação a pares, crítica e público.

² (Outros, os. Narrativa argentina contemporânea. Gusmán, Luis (org.). Iluminuras. 2010)

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