dezembro 24th, 2011 § Deixe um comentário
(san vicente, m. nascimento c/ m. sosa, no som)
céu negro (r. figueiredo, 2001), el caso berciani (a. pauls, 1992) e boca de lobo (s. chejfec, 2000) têm similaridades. trabalham como física a diferença entre favela e cidade: a favela como espaço pré-consciente, excêntrico e descentralizado, distante, limítrofe, desarticulado. é compreensível que, em 2011, desemboquemos na famigerada expressão conglomerado subnormal. lml.
dezembro 19th, 2011 § Deixe um comentário
se balizarmos por Piglia, o Pauls pende mais pro Puig do que pro Saer. embora constitutivamente similares na sua hipersignificação, as verborragias do Pauls e do Saer tardio respondem a propósitos distintos. mas bem que na página 317 d’el pasado o bonairense homenageia o santafecino de unidad de lugar.
Tocó un timbre y esperó unos segundos, miró su propia sombra en el vidrio esmerilado de la puerta, hasta que una voz impaciente le exigió su nombre a través de un intercomunicador.
lml.
dezembro 15th, 2011 § Deixe um comentário
achei uma intercessão entre El Pasado e Cheever. Rímini e Vera vão desanuviar numa casa numa praia Valeria del Mar, que é em tudo parecida, nas terraças, nos arbustos, na rusticidade programada, às casas de praia dos personagens de Cheever que contratam empregadas do leste europeu pra cozinhar pra eles no verão, que nem a Carmela Soprano faz.
cabia um mapinha dessas anedotas locais que o Pauls semeia como fios soltos do caudal principal: fortín tiburcio, são paulo, salvador da bahia, viña del mar, aix-en-provence, londres… lml.
dezembro 13th, 2011 § Deixe um comentário
o nome já denuncia, o mote ali é o quão questionável é a noção de aperfeiçoamento como fuga¹. isso aparece na questão corporal ao longo do livro, da plástica de nariz à cocaína à tal da sick art. lml.
¹fuga adiante, Aira
dezembro 13th, 2011 § 4 Comentários
esse meu último post fez pensar que, embora os encontrões vocabulares, as associações imprevistas de ideias d’el pasado sejam inimitáveis, muito daquele procedimento permeia o finisterra. abandonada a imitação algo ecoa. teve um e-mail que o foche me mandou bem no começo (“extremo detalhismo caracterizado pela suspensão da parcela do tempo e um raro “corpo a corpo” sob a forma do diálogo.”) que acho que ainda vale. lml.
dezembro 13th, 2011 § Deixe um comentário
a certa altura o narrador nos diz que o mecanismo do acidente é inserir tempo dentro do tempo. tal mecanismo opera nas articulações, sempre no sentido de expandir/escandir¹. no plano do fraseado isso ocorre na medida em que a narração esquadrinha/esquarteja as ações nas famosas frase-habitat. no dos episódios² as personagens estão sempre tentando remediar as extensões temporais padrão. lml.
¹escandir em espanhol é, aproximadamente, silabear
²ex.: dizer pra namorada que vai na padaria quando na verdade precisa sair de casa pra ligar de um orelhão
dezembro 12th, 2011 § Deixe um comentário
é sempre off-putting se deparar com um livro bom escrito por um procedimento que você repudia. parece possível tal coisa. o fraseado d’el pasado subordina narrar a conjecturar, minimiza os núcleos de ação, trata a linha de leitura como uma colcha de retalhos metafóricos e aéreos. o que leva o livro adiante até agora (pag. 121) é esse sopesamento de possibilidades. lml.
dezembro 11th, 2011 § Deixe um comentário
hoje faz 1 ano que eu ganhei el pasado. dando uma relida lembrei, uma coisa que me faz gostar dele é uma verborragia particularizante de elementos + abstratos, verborragia essa que eu tentei emular na 1ª versão do livro e depois abandonei². lml.
¹Rímini se inclinó sobre Carmen y entró en la órbita perfumada de su rostro
²detalhe, a gravura da capa é da tal censurada nan goldin
outubro 9th, 2011 § Deixe um comentário
- hoje, que eu recebi uma notícia massa, talvez eu decida que o romance deve ganhar uma terceira parte, o que postergará acabar de escrevê-lo. é tudo.
(Dalva entra saltitando, uma mão carrega uma cesta, a outra faz o lml)