eles eram poucos cavalos (com siglas pra ficar hipster)
outubro 25th, 2011 § 2 Comentários
Compro livros com algum fervor e os leio com um pouco menos de fervor; mais por um impulso de traça, atrás de cada capa estranha pode estar la revolución. Às vezes calha de algum desses livros serem de jovem autor de literatura brasileira contemporânea (JALBC), às vezes, convencido pela internet, compro justamente por ser de algum JALBC. Hoje, Leandro Cassandra Mayfair acordou se perguntando e me perguntando por que ler JALBC e, principalmente, por que querer ser um JALBC. Bom, 1º aponto uma mutreta publicitária, o roquenrou fez o motor do consumo passar da mão dos velhos pra dos jovens, e fez a literatura, insigne reduto de velhinhos e velhinhas, passar a ser consumida e talvez produzida por novinhos e novinhas: a produção de oficinas literárias e blogues¹ precisa desovar em algum lugar. Charme veterano: 4 romances aos 26. Questão é, do ponto de vista estilístico não dá pra dar muito crédito pr’essa novidadice. Sim, leitor, estamos falando do problema da influência² aparente no JALBC, estamos falando do pedantismo, de o JALBC não ter tido tempo ou senso de desbastar a linguagem e acabar virando um “exímio impressionista” (isso é citação d’uma orelha, na verdade eu queria dizer um exímio Whisner Fraga), estamos falando da busca por um certo “vínculo geracional” por meio do uso de “referências pop”, estamos falando portanto de uma condenável e sistêmica vontade de auto-afirmação por meio de filiação. Sorte que de vez em nunca me aparece um exemplar que começa a compensar os outros, parabéns aí Brisa Paim, Estevão Azevedo e Ismar Tirelli Neto.
Quanto a mim, se tudo der certo, sagrar-me-ei jovem autor de literatura mexicana extemporânea. lml.
¹nenhum dos dois me parece um veículo lá muito honesto pra literatura: a oficina faz apologia do mot juste, o blogue do insight.
² influência agravada pelo apreço do JALBC pela literatura contemporânea mundial (LCM), ou seja, a publicada pela Cia Letras.
pra ñ comentar
outubro 22nd, 2011 § 5 Comentários

(hey hey my my, do neil young, no som)
umas coisas que eu li p’rum post sobre Tadeu Sarmento ajudaram a clarear questões sobre a Geração Zero Zero (2011). explico, a seleção não é ruim, só parte d’um recorte besta pros dias de hoje, significativo lá em 2004/2005, quando gente como Marcelo Benvenutti, João Filho e Paulo Sandrini, na crista da onda, citavam Wir Caetano, Sérgio Fantini e Rique Aleixo em entrevistas e eram publicados por meios próprios ou por editoras minúsculas de SP e PoA, tipo a Kafka, a Barracuda e a Ciência do Acidente. devia ser bonito ser publicado pelos próprios meios. em 2004, já tinha saído Até o Dia em que o Cão Morreu, a livros do mal era finita ou quase, o Michel Laub andava pelo 2º ou 3º romance. mas era uma transição: embora os ecos da cardosonline já se dissipassem, era cedo pra identificar a avalanche gaúcha do fim da década se acoplando ao sempiterno séquito de Marcelinos Freires. assim, num vácuo de reordenação brotaram e começaram a se afirmar nomes que de lá pra cá talvez tenham virado taxistas e se recusado a ter conta no facebook, ou talvez publiquem em segredo e sejam resenhados mais em segredo ainda. a antologia A Visita (2005) publicada no meio desse vuco-vuco pela Barracuda traz os iniciantes Lísias, Laub e Bracher.
chover no molhado dizer que a configuração atual do campo literário deve mais à 2ª metade da década do que à 1ª, que é a presente na Geração Zero Zero. se a Geração Noventa: os transgressores (2003) peca por afoiteza de novidade (ignora o começo dos noventa, antologa o começo dos dois mil), oito anos depois, o catálogo do Nelson de Oliveira peca por defasagem. mas tudo bem. lml.
não é um anúncio classificado;
outubro 21st, 2011 § 5 Comentários

(emergency trap, do mogwai, no som)
falta do que fazer, esperando um download, resolvi reordenar uns livros¹. bizarrices:
- 2 livros da abril cultural, os dois com retrato no nome: o de dorian grey e o do artista quando jovem (tenho também portrait of a lady, do henry james, e o fotógrafo, do tezza);
- 3 martin claret: eu e outras poesias, o castelo e a ilíada;
- 15 romances de capa dura azul, de sagarana a deserto dos tártaros, que vendiam em banca no meio dos anos noventa, direitos detidos pela récord, uma coleção que depois virou o selo best bolso;
- 4 versões de agosto, um total 6 títulos do rubem fonseca;
- 2 dom casmurro e 3 coletâneas de contos do machado de assis;
- 2 feliz ano velho;
- 2 constituições;
- 2 gabriela mistral;
- 1 missal em latim de 1949;
- 1 romance a partir de epígrafes, do josé almino, o motor da luz;
- 1 macbeth bilíngue inglês-alemão;
- 1 guerra e paz de 1959 ilustrado com fotos do filme com a hepburn;
- 1 novo testamento
- 1 carta da onu/estatuto da corte internacional de justiça.
borgesXgoogle
outubro 17th, 2011 § Deixe um comentário
Comprei um livro muito estranho numa banca de rua: Zajar Bérkut, Cuadro de la vida social de la Rusia Carpática del siglo XIII, de Iván Frankó. Uma edição espanhola publicada em 1982 por uma Editorial Dniprò de Kiev, tradução de um Stepán Ryzvaniuk e ilustrações de um Valeri Rudenko (nenhum dos três googláveis). Tão estranho que eu não achei a capa no google images pra pôr aqui. Parece que El tema de su novela “Zajar Bérkut”, escrita en 1882¹, es la lucha de los eslavos contra la invasión tártaro-mongola en el siglo XIII. Epígrafe do Pushkin mal traduzida ou mesmo apócrifa, que o google também não achou. Termos em ucraniano latinizado elucidados em notas de rodapé. Provável veículo russo de propaganda guerra fria afora. lml.
¹O romance termina com Naguyévichi, 1.X – 15.XI. 1882.